Os preços do arroz em casca ao produtor do Rio Grande do Sul oscilam em uma faixa entre R$ 27,00 e R$ 28,00 por saco de 50 Kg na compra e entre R$ 28,50 e R$ 29,50 por saco de 50 Kg no pedido do vendedor, para um rendimento entre 58% e 60% de grãos inteiros, FOB produtor. Esse spread largo denota um mercado com resistência a novas baixas. O produtor não quer vender a esses preços, as indústrias procuram ampliar compras apenas aos preços propostos na faixa mais baixo e varejo vai postergando negociações para buscar reposições a preços menores. A queda de braço entre os elos da cadeia persiste e a pressão oriunda da oferta da nova safra, neste momento, é o fator responsável pela pressão baixista sobre o arroz em casca. No Rio Grande do Sul, o preço médio ponderado do arroz em casca recuou para R$ 27,75 por saco de 50 Kg, contra a média de R$ 28,93 por saco de 50 Kg na semana anterior e R$ 33,57 na última semana de janeiro. Os preços do arroz em casca, no Estado, acumulam uma baixa de 11,6% nos últimos 30 dias e de 1,5% em relação ao mesmo período do ano passado. A entrada da nova safra de arroz pressiona os preços do cereal no mercado interno. Por maior que seja a quebra da safra 2009/2010, é inevitável o recuo dos preços com o avanço da colheita. Mesmo com o volume e a qualidade da safra indefinidos no Rio Grande do Sul, em função do excesso de chuvas na fase de desenvolvimento da lavoura, neste início de colheita, ainda não são fatores que influenciem significativamente a formação de preços. Mesmo com uma quebra de cerca de 1,2 milhão de toneladas na safra, o Rio Grande do Sul colhe nos próximos meses um volume de 6,5 a 6,8 milhões de toneladas. Além do Rio Grande do Sul, o maior produtor nacional, há colheita em Mato Grosso, Goiás, Mato Grosso do Sul, Tocantins, Santa Catarina e oferta de arroz do Paraguai, Uruguai e Argentina. Os produtores já estão pleiteando leilões de Opções, desoneração de exportações, leilões de PEP (Prêmio de Escoamento de Produto) para fomentar as vendas externas, além de recursos extras para os produtores afetados pelas quebras de safra. O governo acena, por enquanto, apenas com R$ 600 milhões para EGF (Empréstimos do Governo Federal), para estocagem do produto.
Por outro lado, os preços internacionais do arroz estão em queda, mas esse fator não pressiona os preços neste momento, já que há oferta interna abundante no curto prazo. No médio prazo, entretanto, mantido esse canário, a paridade de importação pode afetar o mercado interno. O arroz da Tailândia 100%B recuou para US$ 520,00 por tonelada FOB, contra US$ 585,00 na primeira quinzena de fevereiro, US$ 593,00 na segunda quinzena de janeiro e US$ 609,00 por tonelada FOB na primeira quinzena de janeiro deste ano, acumulando, neste período, uma desvalorização de 14,6%. O arroz do Vietnã Viet 5% recuou para US$ 385,00 por tonelada FOB, contra US$ 430,00 por tonelada em fevereiro e US$ 489,00 a tonelada em janeiro deste ano, acumulando, neste período, uma desvalorização de 21,2%. Ainda não foi liberada a linha de crédito aos orizicultores atingidos pelo excesso de chuvas na fase de plantio. Na quarta-feira, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, anunciou que será liberada nos próximos dias uma linha de crédito especial de R$ 175 milhões, sem precisar a data. Nas últimas semanas, as chuvas deram trégua aos produtores gaúchos. O período compreendido entre o dia 25 de fevereiro e 4 de março foi marcado pela ausência de precipitações no Estado. Todavia, a situação em relação à umidade disponível no solo ainda é considerada satisfatória para que as plantas se desenvolvam normalmente. As temperaturas, por outro lado, passam a ser o fator de incerteza. Em determinados momentos, as temperaturas baixaram para níveis preocupantes para a cultura do arroz, em especial para as lavouras localizadas na Campanha e na Fronteira Oeste, onde a mesma marcou mínimas ao redor de 9ºC, segundo relatório da Emater/RS. No Rio Grande do Sul, das primeiras lavouras colhidas, a produtividade média oscila muito, entre 5.500 e 7.500 quilos por hectare, faixa considerada bastante ampla. As lavouras ainda em desenvolvimento vegetativo e floração são as que mais preocupam os produtores, na medida em que as temperaturas, especialmente à noite, tendem a cair abaixo dos 12 graus, o que pode significar abortamento.
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